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sábado, 12 de julho de 2014

Persistência bacteriana

Ela era uma bactéria vivendo junto com outras bactérias dentro de uma gota de muco nojento, em um canto esquecido de um vaso sanitário. De um banheiro público.
Mas alguma coisa diferente acontecia com ela, que não se conformava em estar ali parada.
“Quanto tempo vamos ficar aqui, sem infectar ninguém? Não aguento mais!”
As outras tentavam ser pacientes:
“Não tem jeito, companheira. A gente caiu aqui neste lugar meio afastado, então é difícil que alguém sente em cima de nós. A não ser que o faxineiro arraste a meleca um pouco mais pra lá.”
A bactéria recalcitrante se exasperava:
“Então vocês se conformam em ficar aí, torcendo para o faxineiro arrastar a meleca? Já pensaram que ele pode fazer um serviço bem feito e mandar a gente pro esgoto? Quanto tempo vai demorar para termos a chance de invadir outro corpo, se cairmos no esgoto? Nem sei se vou viver tanto tempo!”
Era difícil manter a paciência com aquele organismo unicelular desassossegado! Mas as colegas insistiam:
“Para com isso, cara! Nunca que o faxineiro vai fazer um serviço bem feito! De duas uma: ou a meleca vai secar e todas nós morreremos desidratadas, ou antes disso seremos conduzidas para um lugarzinho - digamos - mais aconchegante. O jeito é esperar.”
Mas ela não queria esperar, queria agir!
Foi nadando com esforço em direção à borda da gota de muco. Ao chegar lá viu que não era tão simples transpor a superfície. Parecia que uma cola a puxava de volta quando forçava a passagem através da película ainda mole, porém adensada pela contínua evaporação. As outras tentavam incansavelmente colocar algum juízo naquelas organelas:
“Não vê que se você sair da meleca acabará secando rapidinho? Se é pra morrer, fique aqui mesmo, porque vai demorar mais. Lá fora você não tem chance!”
Mas ninguém conseguiu convencer aquela eucariota enlouquecida.
E tanto ela fez, e tanto pelejou, que conseguiu. Depois de um tempo inimaginável e de um esforço incomensurável, viu-se do lado de fora da gota. E - surpresa agradável! - não estava sobre uma superfície seca, mas sim sobre uma reconfortante umidade proveniente de algum jato mal direcionado de xixi.
Foi assim que a bactéria, com a ajuda do seu providencial flagelo, foi nadando lentamente até atingir um local bem posicionado. Não demorou muito para que um gordo traseiro se encarregasse de transportá-la dali para uma região mais propícia aos seus objetivos de crescimento, multiplicação e perpetuação da espécie.
Enquanto isso as outras bactérias assistiam, não sem alguma inveja, ao sucesso daquela companheira inconformada que tinha um projeto de futuro e que levou adiante os seus planos, apesar de todos os desencorajamentos e perigos.
Moral da história: pense bem antes de decidir ficar na sua zona de conforto! Lá fora pode ser inseguro, mas as oportunidades serão muito mais abundantes!
Imagem: http://www.zazzle.com.br

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