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sábado, 3 de outubro de 2015

Criança perdida

Manhã bem cedinho. Andando rápido pela Rua Direita.
Rápido rápido quase correndo na direção da Praça do Patriarca.
“Não posso perder o ônibus fretado. Não tenho dinheiro para táxi. Ônibus comum vai me atrasar. Sem chance. Tô na experiência, se atrasar já era.”
Depressa, mais depressa!
E lá ia quase correndo.
Cruzando o Largo da Misericórdia, uma mulher estacou alguns metros à sua frente. Virou-se, atarantada, olhou ao redor e gritou: “Pedro! Pedro!”
Dava pra perceber: era caso de criança perdida.
Não se via nenhuma criança por ali. Onde raios estaria o menino?
A mulher passou a gritar mais alto, em tom mais desesperado: “Pedro! Pedro!”
Mas que droga de mãe era aquela que não segurava a mão do filho ao andar pela Rua Direita?
E agora? Não podia parar, sob pena de perder o ônibus fretado.
Tanta gente na rua, alguém na certa ajudaria.
Apressou-se mais ainda a fim de compensar os segundos perdidos na hesitação.
Os gritos ficaram para trás. 
“Pedro! Pedro!”


Imagem: https://umpalcodeteatro.files.wordpress.com

2 comentários:

Beto disse...

Olha só um pequeno texto com tanto significado. Assim que terminei de ler pensei:"Quantas vezes temos ignorar fatos ao nosso redor para não afetar a nossa rotina?". Gostei muito da cena, instiga muito a reflexão.

Zulmira Carvalheiro disse...

Obrigada pela visita e pelo comentário, Beto. Muitas e muitas vezes passamos por coisas assim. Somos obrigados a fingir que não nos importamos, no entanto nos importamos sim. Só não sabemos como agir.