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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Lobo

Uma coisa estranha começou a acontecer com ela: acordava todas as manhãs muito, mas muito cansada.
Ficou apreensiva. Como é possível que depois de dormir a noite toda uma pessoa acorde ainda mais cansada?
Foi ao médico. Ele disse que era “stress”, afinal estava separada havia pouco tempo. Essas coisas mexem com o psicológico. Receitou-lhe algumas coisas, ela tomou, não fez nenhum efeito.
Foi a outro médico, o qual pediu exames variados. Nada se revelou nos exames.
“O colega estava certo, é “stress”. Tome aqui estes medicamentos. São diferentes dos anteriores. Estes vão resolver.”
Não resolveram. Ela se conformou em acordar com dores musculares generalizadas todo santo dia.
Uma amiga, que era espírita, avisou:
“Isso é surra espiritual. Você está sendo atacada de noite. Não você, mas o seu corpo astral. Depois você acorda e traz as dores para o corpo físico.”
“Não pode ser!” respondeu ela. “Nunca fiz mal a ninguém, quem ia querer me castigar assim?”
A amiga esclareceu:
“Pode ser alguém que acha que você lhe fez mal, mesmo não tendo feito. Tem gente maluca por aí que interpreta as coisas tudo errado. Ou então...”
“Ou então o quê?”
“Ou então é roubo de energia. Vai ver não é surra, é um roubo de energia.”
Besteira, pensou ela. Devo estar com fibromialgia.
Então começou a se lembrar dos sonhos. Frequentemente sonhava com alguma criatura em situação de perigo ou de tristeza, e aí passava muito tempo tentando ajudar a criatura. Tentava, não conseguia, tentava, não conseguia... e a angústia aumentava, e aumentava...
Geralmente eram crianças ou animais em dificuldades. Ou então pessoas idosas.
A mesma amiga deu o diagnóstico: isso era roubo de energia, com toda a certeza. Enquanto no sonho ela se compadecia da criatura, a sua energia vital ia sendo sugada. Por quem? Não importa quem, o que importa é tomar passes para se proteger.
Ela não quis tomar passes. Não, isso é uma fase. É o trauma da separação.
Depois, durante os sonhos, ela conseguia se lembrar do aviso da amiga, mas sempre tarde demais.
Quando percebia que a criatura fragilizada não era tão frágil assim, já havia acariciado, já havia embalado, já havia acalentado. E no dia seguinte, as mesmas dores.
“Não quer tomar passes?” disse a amiga. “Então reze o Salmo 91. Todas as noites antes de dormir. É para a sua proteção. Senão isso vai continuar.”
Ela não queria tomar passes, não queria rezar, não queria pensar no ex-marido, só queria esquecer tudo e dormir em paz.
Então naquela noite ela sonhou com o lobo. Se fosse na vida real teria ficado com medo, mas no sonho não ficou. Era um lobo grande, de olhos vermelhos, e parecia estar ferido. Ela se aproximou, acariciou sua cabeça, tentou falar com ele com aquele jeito carinhoso...
“O que você tem? Está com alguma dor? Como posso te ajudar?”
E o lobo se aproximou, gemendo baixo, e se aproximou, e de repente mordeu sua mão direita.
Ela acordou assustada e acendeu a luz. A mão doía muito, e lá estavam as marcas da mordida.

Imagem: http://hdwallsdesk.com

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