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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Tráfico de gerimboca

A uma certa altura do curso universitário, o meu amigo Valter e eu concluímos que as nossas respectivas situações financeiras estavam igualmente alarmantes, e resolvemos arranjar um emprego de meio período. Acabamos indo trabalhar como recepcionistas no Aeroporto de Congonhas, depois de transferir as nossas matrículas do diurno para o noturno. O Valter na VASP e eu na VARIG.
Eis que um dia, após jantarmos no restaurante central da universidade, inventamos de catar sementes de lírio no jardim que ficava ao lado. Os lírios amarelos, depois de florescerem, haviam deixado centenas de cápsulas carregadas de sementes pretas e brilhantes. Por que resolvemos colher as sementes? Por nada. Só porque eram bonitas.
Quando chegamos à faculdade encontramos um colega nosso cujo apelido era Li. O nome dele não me lembro; o apelido era Li porque ele tinha vindo da cidade de Limeira.
Esse jovem era alto, moreno, vestia-se muito bem e usava colônias masculinas de ótima qualidade. Um galã. Seu único problema era uma certa lentidão de raciocínio...
Não sei de onde o Valter tirou a ideia, mas com a maior naturalidade do mundo perguntou ao Li se ele não estava interessado em um pouco de gerimboca da Amazônia.
"Gerimboca da Amazônia? O que é isso?"
"Você não sabe?! Pensei que fosse mais bem informado! Foi um comandante da VASP que trouxe de Manaus. É mais potente do que qualquer droga conhecida, e é natural. Dizem que os índios curtem adoidado!"
E colocou na mão do Li um bom punhado de sementes pretas, dizendo que naquele estado bruto não produzia efeitos tão grandes, mas quando refinado... era incrível!
O Li deu um sorriso maravilhado (e um tanto aparvalhado) e pediu mais um pouco. O Valter deu, avisando que não era pra se acostumar com tal generosidade.
Entramos para assistir às aulas e esquecemos o assunto. Na hora do intervalo encontramos o Li sentado no mesmo banco onde o havíamos deixado antes. Estava com cara infeliz e a mão sobre o estômago.
"O que foi, Li?"
"Valter, acho que te enganaram. Comi toda aquela gerimboca e não aconteceu nada. Só me deu uma bruta dor de estômago!"
Graças ao Li aprendemos duas coisas:
1) Gerimboca da Amazônia, isto é, sementes de lírio amarelo, provocam indigestão mas não são letais.
2) Pode ser perigoso fazer certas brincadeiras com pessoas reconhecidamente subdotadas. Elas podem ser muito mais subdotadas do que supõe a mais ousada das suposições.
Imagem: http://www.dondrup.com

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